Muito triste quando você percebe que sua mãe teme te deixar sozinha. Ainda mais triste quando ela pensa que um filme pode te levar ao suícidio – ou à nova tentativa (é, movin’ on). Double fuckin’ worst é pensar que alguém é convencido da idéia vendo Prozac Nation.
Eu gosto da Christina Ricci. Gosto da Michelle Williams. Gosto do Jonathan Rhys-Meyers. Gosto da Jessica Lange. Não é o elenco. Nem mesmo o gosto da tal escritorinha. É o tema, o desenvolvimento, a porra da falta de fotografia, o óbvio espalhado em todo canto. Dá vontade de se matar mesmo. A Christina Ricci gosta das coisas certas: Velvet Underground, Joy Division. Mas escreve como pussy. Em Harvard. Aliás, fazem questão de dizer onde ela está mil vezes pra mostrar a grande mudança na vida da garota. Só que não me convence porque a menina escreve odiosamente, cheia de psicodelias e embromação. Me lembra bastante todas as minhas professoras de Filosofia e Sociologia, e o que eu escrevia nas provas delas. O talento é tanto que ela toma ecstasy pra escrever sobre Lou Reed e descreve o ecstasy, não Lou Reed. E ganha um prêmio. É, idiota.

What? Spell “stupid cunt”, please.
Tudo no filme parece o diretor lembrando do que já viu sobre adolescentes com transtornos mentais em outras obras. Alguém faz essa gente parar de achar que Trainspotting, Basketball Diaries e Christiane F são grandes influências e inspirações? Filmes sobre drogas têm o efeito contrário em mim, me irritam profundamente. São como crianças puxando as nossas camisas enquanto a gente lê o New Yorker, sei lá, Camille Paglia. No momento da piada elas querem que a gente pare e as escute, porque ninguém as entende nesse mundo. *pout* Os diálogos são distorções imbecis do trivial, afinal, drogados são muito diferentes, profundos. Como a Christina fala no filme: “você não sabe o que é o amor“. Patética. É o que os filmes sobre drogas são. Pelo menos nessa hora ela tinha que parecer patética. Mas o que muda depois? Nada. Ah, ela pára de falar. Graças a Deus.
E o óbvio que ninguém, ninguém, nota, mas me grita poser bem alto por dentro. A escritorinha profunda e evoluída gosta de bandas obscuras e as conhece mais que ninguém. Escuta os vinis 30 vezes por dia, vai aos shows para tirar a essência de cada uma, um belo esforço, meus parabéns. Gosta tanto que no quarto ela tem pôsteres (quão adolescente é isso?) das favoritas. Mas aí algo pula nos meus olhos. Um pôster de “Love will tear us apart”? Ela ouve tudo, conhece tudo e cola um pôster da música mais famosa? Da música que qualquer zé neguinho sabe cantar? Ela passou no Wal-Mart e comprou por 2 dólares? É essa a importância que ela dá? Inacreditável.
As cenas em família são hediondas. A Michelle Williams, que é melhor amiga, se salva um pouco porque foge da grandiloquência usual e chata. Teatral seria uma grande qualidade, mas nem é. É ridículo, dá vergonha. Aqueles avós, a perturbada tendo nervous breakdown em qualquer lugar, porque nada é mais íntimo, apesar de ela tentar ser diferente e perfeita com todo mundo que não a conhece. Em Basketball Diaries o Jim fala pra si mesmo que quer ser puro. A Elisabeth não quer nada, só encher o saco. Como quando tenta se matar no banheiro da casa da psiquiatra. Podia ter espalhado cocô no teto e estuprado as crianças também, tá lá mesmo. É tão filha da puta que nem pensa numa gilete ou numa faca da cozinha. Quebra um vidro em cima da pia e tenta se cortar. Não consegue, claro. Óbvio. Eu juro que conseguiria vendo essa porcaria mais uma vez. Mãe, fique comigo.


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