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Li no Pretty Dumb Things um post sobre como boa gramática deixava a Chelsea apaixonada, horny pra ser mais precisa. Comigo é parecido. Certas coisas num texto me deixam tão horny, que eu procuro saber mais sobre a pessoa, vou me chegando, tentando me aproximar e, pronto, somos amigos. Já posso conversar com a pessoa por horas na internet e me deliciar com a gramática perfeita. É como o toc que tenho com a caixa de correio, só que melhor. Esse toc me recompensa sempre.
As vírgulas são realmente importantes, elas deixam o texto compreensível, claro, mas a organização delas, o design que traz ao texto, holy motherfucker… Eu desrespeito de início aquelas pessoas que grudam as vírgulas nas palavras: “tipo assim,né“. Nauseante. Acho que é pra mostrar que é uma pausa pequenininha, meio fôlego pro ‘né’. Você respira rápido entre as palavras como aquele fulano que canta “Chocolate Rain”.
É claro que o conteúdo é importante e aquele senso comum todo, mas o jeito que as frases se organizam em parágrafos que formam retângulos perfeitos, ah… Saber separar os parágrafos, fazer com que eles sejam coesos e com um design bonito é muito sexy. Como o caso do vocativo. Ninguém sabe mais onde colocar a vírgula. Ninguém neste mundo. É depois do “oh”? Antes do “oh”? Vocativos me deixam arrepiada. Uma vez eu fiquei debatendo por horas com brasileiros morons uma música da Britney Spears (whoa) em que ela diz “it’s Britney, bitch”. Eles teimavam em dizer que não havia a vírgula porque tinha a licença poética da Britney se declarando vadia. Brasileiros tentam se apropriar de tudo que não sabem, é uma doença incurável. Penso em começar a usar máscaras hospitalares nos ouvidos. Quem sabe nos olhos também, o orkut costuma ser insuportável.
Voltando pro Brasil hoje com tristezinha, muita saudade. Mas foi bom, é bom lembrar. Fazia tempo que não me divertia tanto, por inteiro. Eu sei que querer perfeição em tudo é idiota e contra-produtivo – não exatamente perfeição, mas pensar que nada é bom porque não é do jeito que eu queria – mas, hell, acontece às vezes comigo. Juntar os amigos certos, as coisas que eu gosto, o lugar que eu gosto… Bem, New Jersey está muito longe da perfeição. Toda aquela gente bronzeada, meio bronca e super sexy te ataca nos cafés de vez em quando. Mas na maioria das vezes nessa cidade, dentro do meu cordão sanitário, os eventos saem perfeitos. Digamos que até o musak é mais suportável.
Se for pensar direito, é bom sim procurar perfeição nessas coisas, é o meu bem, é a minha estética. Como o Ferris Bueller saindo pra almoçar, ver quadros com os amigos e cantar em paradas em vez de assistir uma aula de Economia. Todas as aulas deveriam ser assim: saiam, procurem o que vocês gostam, com o quê se importam. Metade dos douches do mundo desapareceriam, com certeza. Os professores ensinando que bronzeamento não é um hobby ou que micaretas não são realmente legais se você pensar o quanto realmente se importa em dançar e escutar aquilo. Micaretas, no fundo, são retributivas. Você finge que gosta da música, finge que adora dançar por 9 horas e a festa te dá beijo, mão boba e auto estima – fora gonorréia and stuff. Estou discorrendo sobre micareta mesmo?
Sexta à noite eu liguei pro Jakob para vermos Juno novamente. É impressionante como as filas não diminuem. E de gente legal! Super adultinhos e velhos de alma podre odeiam. Acredite nas minhas palavras, tem gente que não suporta ouvir muitos dudes ou “totallies” num só filme, porque não é profundo o bastante. Também tenho ouvido que não é dramático demais. Que o Oscar errou colocando Juno ao lado de grandes dramas com temas atraentes que nos levam a refletir. Eu já acho que é um grande passo pro Oscar. Sabe, ter uma comédia entre os melhores indica que alguém na Academia ainda acha que humor é valioso e querido. E é o mais valioso e querido. Lágrimas são completamente overrated.
Era disso que eu falava no começo? Não. E quem se importa? Vou ter saudade das pessoas que acham que o Grande Lebowski importa mais que Babel. Era isso. Chorinho interno agora.

Vi ontem no cinema. A trilha, a fotografia, Michael Cera, Jason Bateman, Ellen Page, todo mundo. :~ Posso ser da família? Posso pegar a poltrona pra mim? Posso viver nesse filme pra sempre?
- Com certeza você conhece o Bash, mas já se cansou dele? Eu não.
- Mr T. por Mike Krol, super cool.
- A Diablo Cody (Juno) faz seu top 10 da foda Criterion Collection.
- Garotas fofas grafitadas. Adorei!
- Cartoon verbal, WTF? É só clicar no Garlic Monster. É isso mesmo, alho.
- Sabe o que eu queria ter ganho de Natal? Bonequinhos tatuados e bigodudos.
- O céu em que o Heath Ledger canta e dança é um bom lugar pra se ir.
Achei as primeiras idéias de decoração no Design Sponge, como sempre. Adorei tanto, tão eu.

Começando pela sala-copa, a estante embutida fazendo uma parede de livros. A mesa é linda, as pernas são o que fazem ela ser mais especial. Isso e a cor. Colocaram uma caneca meio amarela em cima, mas fiquei pensando em mim sentada de moletom numa dessas cadeiras tomando chocolate numa caneca branquinha. Imagina as cores. Não gostei do tapete, podia ser outro. E o piso, ah, o piso! A cor da parede é linda, perfeita pra ressaltar a estante e deixar a gente ver aquele quadro lindo ali, tão Takeshi Kitano.

Ainda na sala, mas na parte mais living, a mesma cor de parede linda. Apesar de sempre querer ter uma lareira preta bem art déco, um fold preto com detalhes em dourado, ai, ai. Mas essa branquinha é uma delícia, perfeita pra colocar o pôster do filme em cima. Emoldurado, claro. Nada mais adolescente que pôsteres colados. Ainda estou pensando que filme seria. Talvez um por semestre, quem sabe. Mas nada pomposo e profundo, só comédias, ação e terror, variando assim a cada período, pra não cansar. Pensei em Rushmore, Tale of Two Sisters, Cannibal Hollocaust (só pelo prazer de deixar as visitas horrorizadas, principalmente minhas tias), Coraline e Juno. O espelho refletindo outro quadro é algo que sempre quis, pensei que fosse mais original, hahaha Os objetos coloridos são legais, mas precisam de coisas brancas pra não ficarem kitsch, a lâmpada, a mesinha, a lareira (viram a mega lâmpada lá dentro, kill kill). E de novo não gosto do tapete.

O quarto, ou pelo menos parte dele, também é naquela cor linda. O espelho gigante eu tinha visto no Changing Rooms uma vez e adorei (i heart Laurence). O forro preto é mais minha art déco querida, ainda matching a cor natural dos móveis que a casa quer desenvolver. Como naquele criado-mudo do lado. Eu odiaria viver num quarto sem criado-mudo. É impraticável. Onde ponho os óculos? Os livros? O celular irritante, mas que me desperta quando necessário com uma musiquinha previamente escolhida (é Be Gentle With Me agora)? A lâmpada, a colcha, os travesseiros têm que ser brancos. Pelos mesmos motivos dos móveis no living. Os livros e as almofadinhas fazem o resto.
Preciso ainda de banheiro, cozinha e jardim. É, ainda não penso em me casar. Não agora. Deixa eu planejar meu quarto de solteira, minha casa de solteira. Go away!
Adoro as palmas. Escuto over and over and over.
“A girl with a bird she found in the snow
Then flew up her gown and that’s how she knows
That God made her eyes for crying at birth
Then left the ground to circle the Earth“

